Como gerir conversas com pais sobre tempo de jogo
O tempo de jogo é a maior fonte de tensão no futebol jovem. Dados e transparência tornam estas conversas muito mais fáceis.
Se treinares futebol jovem o tempo suficiente, mais cedo ou mais tarde um pai vai abordar-te sobre tempo de jogo. Pode ser educado ("Será que o Tomás vai jogar para a semana?") ou tenso. Seja como for, a forma como o tratas marca a tua relação com todo o grupo de pais.
A boa notícia: a maior parte das queixas vem de falta de informação, não de injustiça real. Fecha a falha de informação e a maior parte da tensão desaparece.
Porque é que o tempo de jogo gera conflito
Os pais veem uma fatia muito pequena do filme. Conhecem a experiência do filho: se foi titular, quantos minutos jogou, em que posição. Não veem a distribuição de minutos no plantel inteiro, o padrão de rotação ao longo da época nem o raciocínio por trás das decisões.
Quando um pai sente que o filho é esquecido, normalmente é porque lhe falta o panorama. A queixa faz sentido, mesmo que a realidade seja justa.
Define a política antes da época
A melhor defesa contra queixas é uma política clara comunicada antes do primeiro jogo. Na reunião com pais ou na mensagem de pré-época, enuncia a tua abordagem:
- "Todos os jogadores fazem pelo menos uma parte por jogo."
- "Faço rotação nos onzes para todos terem oportunidades."
- "Em qualquer ciclo de quatro jogos, os minutos por jogador serão equivalentes."
Seja qual for a tua política, di-la em público e mantém-na. Quando um pai voltar a falar disso, podes apontar para o compromisso assumido.
Regista minutos jogados
É a coisa mais eficaz que podes fazer. Quando registas minutos reais por jogador e por jogo, as conversas passam de sensações a factos.
Em vez de "Sinto que o meu filho nunca joga", podes mostrar: "Nos últimos seis jogos, o Tiago jogou 240 minutos. A média do plantel é 255. Está ligeiramente abaixo, por isso este fim de semana vai começar."
É uma conversa completamente diferente. Os dados eliminam a ambiguidade e mostram que estás atento à justiça, mesmo que um jogo isolado possa parecer desigual.
Tem um processo para as queixas
Não deixes que as conversas aconteçam à beira do relvado durante o jogo. É o pior momento para ambos. Emoções altas, atenção dividida, outros pais a olhar.
Define um processo simples:
- Nada em dia de jogo. Avisa logo no início da época que estás disponível para conversar, mas não em jogos.
- A sós. As conversas são privadas, não no grupo.
- Com dados. Quando te sentas com um pai, tem os números prontos: minutos jogados, titularidades, posições.
Ouve primeiro
Quando um pai apresenta uma preocupação, ouve antes de responder. Muitas vezes só querem ser ouvidos. Pergunta o que é que o filho diz em casa. A perspetiva deles pode revelar algo útil — um jogador desconfortável numa posição, ou alguém que se sente posto de lado nos treinos.
Nem toda a queixa é injusta. Às vezes, esqueceste mesmo um jogador, e o pai a chamar-te à atenção é uma ajuda.
Usa ferramentas que ajudem
Registar manualmente os minutos de 18 jogadores ao longo de uma época é maçador, e por isso a maioria dos treinadores não o faz. Depois, quando surgem perguntas, não há dados a que recorrer.
O Pitchside regista minutos e presenças automaticamente. No fim de cada jogo, mete o onze e as substituições e os dados constroem-se sozinhos. Quando um pai perguntar sobre minutos, já tens resposta.